
Música: Mãos de Cimento, Alma de Barro
Essas mãos levantaram parede
Carregaram cidade nas costas
Cada casa que eu deixei de pé
Foi um sonho adiado na proposta
O calo virou luva grossa
A betoneira embalou meu cantar
Eu fazia crescer o concreto
E por dentro eu sentia secar
Mas tem coisa que a obra não cobre
Tem raiz que o cimento não mata
Minhas mãos são de cimento
Mas a alma é de barro bom
Endureci por fora com o tempo
Por dentro guardei o meu dom
O que a cidade fez de casca
A chuva do sertão desfaz
Barro seco vira estrada
E essa estrada me leva a ter paz
Essas mãos aprenderam de novo
O peso leve de um punhado de chão
Cerca feita, café plantado
Cabo de enxada virou violão
O calo agora tem outro nome
A terra embala o meu cantar
Eu faço crescer o que é vivo
E por dentro eu voltei a sonhar
Tem semente que espera na dobra
Tem raiz que o cimento não mata
Minhas mãos são de cimento
Mas a alma é de barro bom
Endureci por fora com o tempo
Por dentro guardei o meu dom
O que a cidade fez de casca
A chuva do sertão desfaz
Barro seco vira estrada
E essa estrada me leva a ter paz
Mergulhei as mãos no rio
Deixei a água trabalhar
O que era duro amoleceu
O barro voltou pro lugar
Minhas mãos são de cimento
Mas a alma é de barro bom
Endureci por fora com o tempo
Por dentro guardei o meu dom
O que a cidade fez de casca
A chuva do sertão desfaz
Barro seco vira estrada
E essa estrada me leva a ter paz
Barro bom…
A alma lembra de onde veio.
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